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Mais novo lançamento, Agronegócio e luta de classes

O livro Agronegócio e luta de classes, de Luiz Felipe de Farias, é o mais novo lançamento da Editora Sundermann! Conheça um pouco da obra no texto de Maria Pinassi, que assina a orelha do livro.

Conheci Luiz Felipe de Farias quando ele ainda cursava a graduação em Ciências Sociais na UNICAMP. Compunha um pequeno e seleto grupo de estudantes em alguma medida autodidatas porque, deliberadamente, seguiam sem uma orientação acadêmica determinada, procurando compreender as vicissitudes da revolução brasileira. Luiz, Ana Elisa Correa, Tatiana Vargas e Rodrigo Lima pensavam com maturidade intelectual desconcertante para sua pouca idade, ao mesmo tempo em que não vacilavam em sua opção ideológica. Sinto, por isso, imenso orgulho de ter alguns de meus textos escolhidos e debatidos por eles na ocasião. Desde ali seguimos estreitando nossas afinidades políticas e teóricas, o que me traz a oportunidade de acompanhar a rica trajetória trilhada por eles. 
Pois foi com ganas de reunir ação e reflexão que Luiz enfrentou a militância em movimentos sociais de massas e o mestrado acadêmico, constituindo nosso mestre Edmundo Fernandes Dias seu orientador formal e afetivo. Assim, em tempos de banalidades pseudocientíficas, esse jovem e talentoso pesquisador evidencia, sem alarde, seu pertencimento à melhor linhagem da sociologia brasileira consagrada, sobretudo, por Florestan Fernandes, que só via sentido em praticá-la em sua inseparável relação com o socialismo. Não surpreende, portanto, que o resultado do primeiro esforço autoral de Luiz Felipe de Farias seja um estudo radicalmente crítico e instigante para compreendermos o significado contemporâneo do complexo agroindustrial citrícola do Estado de São Paulo. 
Para isso, realizou pesquisa reveladora de sua matriz marxista atingindo a expectativa manifesta naqueles primeiros anos de intelecção estudantil. Com muita segurança, e com a mediação do fenômeno representado pela citricultura paulista, elaborou uma verdadeira ontologia do desenvolvimento brasileiro. A síntese deste complexo universo só foi possível através de minucioso levantamento de dados sobre a realidade estudada, da composição honesta dos sujeitos de quem e para quem fala e dos rigores categoriais de que se utiliza para analisá-lo. Este brilhante trabalho, que o leitor tem agora a oportunidade de conferir, revivifica e atualiza as particularidades da via colonial que marcaram a formação e a consolidação do capitalismo brasileiro. Aqui comprovamos que, na dinâmica desigual e combinada do sistema sócio-metabólico do capital, a função historicamente submetida do nosso desenvolvimento jamais poderá superar os extremos da concentração de capitais, da superexploração do trabalho e da subalternidade das nossas classes trabalhadoras, cada vez mais fragmentadas e fragilizadas pela ofensiva do novo ordenamento de acumulação e reprodução do capital. 
Tal conclusão dignifica ainda mais os propósitos e a urgência deste trabalho que, conforme seu próprio autor afirma, pretendeu contribuir com uma “crítica à ordem do capital e do agronegócio vigente no campo brasileiro” e com os esforços de reflexão das próprias classes trabalhadoras frente aos desafios e horizontes que certamente enfrenta no presente e haverá de enfrentar no futuro. 
Maria Orlanda Pinassi